Histórias de Quarentena

Produção de mídia popular nas favelas
do Rio de Janeiro

André Constantine

André Constantine – ‘Favela Tour Social: contra turismo safari’ – Favela da Babilônia

Olá! Meu nome é André Constantine e moro na favela da Babilônia, que fica na Zona Sul do Rio de Janeiro. A Babilônia está situada em um morro no bairro do Leme, no Rio de Janeiro, separando a praia de Copacabana de Botafogo, uma das áreas mais famosas e caras do Rio de Janeiro. É importante destacar que, diferente das cidades europeias, onde as pessoas que moram nos morros têm poder aquisitivo e alto padrão de vida, no Rio de Janeiro somos nós que ocupamos o morro: os negros, os migrantes do Nordeste. Nós que construímos esta cidade com a nossa mão-de-obra barata e hoje não podemos usufruir dela.

Histórias de distanciamento social do André

Eu estava infectado e meus sintomas eram falta de ar, cansaço e dificuldade para falar. Gostaria de destacar que é impossível dissociar a COVID-19 do presidente Bolsonaro e dos problemas que a doença está causando. Ele está negando a ciência e está tentando impor um programa de extrema direita no país usando a nova igreja pentecostal e as milícias do Brasil. As pessoas falam que é um vírus democrático porque no Rio de Janeiro, por exemplo, o maior número de infectados está no bairro mais rico. Mas eu digo que não. Nesses locais, as famílias têm acesso a bons hospitais, exames e uma alimentação saudável, o que é fundamental para a recuperação da doença. Além disso, as favelas enfrentam não apenas esse vírus, mas outras crises sanitárias, como a falta d’água, produtos de higiene e desinfetantes para as mãos, por exemplo.

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André Constantine – ‘Favela Tour Social: contra turismo safari’ – Favela da Babilônia

Tenho 43 anos e faço parte de dois movimentos sociais: o movimento 'Favela Não Se Cala', que existe desde 2011, e o movimento 'Babilônia Utopia ', que começamos a construir no ano passado, em 2019. Sou um guia de turismo formado e meu tour se chama 'Favela Tour Social: contra turismo safári'. Eu coloco o ‘social’ no nome do tour, pois quando recebo o pagamento por ele, eu devolvo metade desse pagamento para o território . Não dá para pensar o turismo de favela sem ter como objetivo transformar as condições sociais da favela .

Sou contra o turismo predatório, em que guias de turismo de favelas ou de fora das favelas incluem em seus tours uma espécie de turismo safári, em que pobreza e miséria fazem parte de seu pacote turístico. Em nossos passeios, não permitimos que os participantes tirem fotos das pessoas ou das condições precárias de suas famílias. Esse tour social pela favela é uma forma de mostrar para as pessoas ao redor do mundo o potencial da favela, e essa é a imagem que quero divulgar. Não estou interessado em imagens sobre falta d'água, mas em imagens sobre o nosso potencial! Esse tour pela favela é um tour político para conscientizar sobre os desafios que enfrentamos em nosso dia a dia.

 

 

Temos isso como um padrão ético na nossa oferta turística e explicamos que o que se ganha em nossos tours é usado para unir esforços para transformar nosso território. Nossos tours são uma ferramenta para melhorar a vida nas favelas

Histórias de distanciamento social do Andrés Covid -19 Story Cont’d 

Eu gostaria de enfatizar que estamos enfrentando a mesma tempestade, mas não estamos no mesmo barco. Os ricos estão passando pela tempestade em seus iates, enquanto outras pessoas estão em um barco salva-vidas e as pessoas nas favelas são deixadas sozinhas no oceano. Isso evidencia a luta de classes no país. No Brasil, principalmente nas favelas, devo dizer que todas as ações que ajudaram no combate à COVID-19 foram organizadas por nós mesmos. Nossos voluntários distribuíam alimentos, desinfetantes para as mãos e outros materiais de higiene.

Criamos um pequeno folheto sobre a importância do isolamento social. É muito difícil respeitar o distanciamento social quando um grande número de moradores mora em casas pequenas que são muito próximas umas das outras.A favela é um território com alta densidade populacional, pouca luz solar e falta de circulação de ar. 

Esses são fatores que, juntos, causam a formação de mofo e que, por sua vez, está ligado às síndromes respiratórias. Na Rocinha se encontra o maior número de casos de tuberculose da América do Sul.

Nossas organizações se concentram na distribuição de kits de higiene porque existem outras distribuindo kits de alimentos. Distribuímos 300 kits para idosos e a segunda ação foi ajudar as pessoas a pagar o aluguel.

 

Se quiser saber mais ou agendar um 'Favela Tour Social: contra turismo safari', entre em contato comigo!

+55 21 99030-7685